segunda-feira, 26 de abril de 2010

Cotidiana Segunda- Feira

Um importante camarada certa vez publicou em seu blog a respeito de coisas de sua universidade que o encasquetavam. Quando li aquilo há uns três anos atrás, mal tinha colocado os pés dentro de uma, e não só isso, minha experiência guardava algumas outras excentricidades. Era em Paranaíba, em pleno sertão sul-matogrossense, instalações eram em um tipo de edifício público educacional padronizado, espalhado e projetado há muitas décadas por várias cidades do estado. (Pros familiarizados com Campo Grande, o colégio não passava de um grande Hérculão). Além de só conter três cursos, e entre os alunos, de tudo. Pastores, freiras, pequenos comerciantes, rejeitados da UNESP, transferidos de particulares de cidades próximas, enfim, o mais variado tipo de gente. Um paisagem um tanto diferente dos padronizados alunos da UEM. (E não digo que aqui não há diversidade. Mas sabe-se muito bem, que mais do que a média, as pessoas que entram nos cursos são os filhotes de cursinho da classe- média, com históricos, padrões e anseios muito parecidos).

“Na universidade, tem-se a gostosa sensação de que sabe-se muito.” Dizia meu camarada. De longe, acompanhava aquelas palavras que foram seguidas de uma dura crítica a ilusão da sapiência e da soberba vazia que ela pode sobrecarregar. Até então, são coisas que eu só podia imaginar como eram. Sem qualquer conotação idílica, naquele presente momento, Paranaíba era pequena demais para conter tais debates. Sequer tinha alguém que se vangloriasse muito de entender de um autor ou outro. Eram outros tempos, e mesmo assim já continha um germinal movimento estudantil, que culminou em manifestações e paradas.

Hoje, em uma dita “grande universidade”, posso não só reiterar as solitárias constatações de meu amigo, como posso dizer também que a ilusória sensação vai além do sedutor conhecimento. Não só iludem de que sabem-se. Mas que podem tudo. Sabem como agir, do que agir, carregam na figura de seus indivíduos a solução absoluta para os problemas da humanidade, um atropelamento sem fim, uma metralhadora de causas dispersas, as vezes com a capa das lutas mais sinceras, as vezes, mal revestido de puro egoísmo.

E nesse momento, não posso ir mais além que contastação. Se há três anos, um forte idealismo que me acompanhava, e que hoje vivo e sinto a sua lenta dissipação, ajudou a desanimar-me perante o que vi de lutas, de idéias e de propostas dentro de uma “universidade grande”, hoje vivo uma espécie de resignação incontida, a mesma vontade de gritar e fazer, sucumbida há alguns projetos individuais que sagro e sino, servirão de forma universal um dia, além de me acalmar os ânimos.

4 comentários:

  1. Infelizmente esse padrão só é mais um padrão, que vai crescendo de escala em escala até chegar na cultura de massa... Agora me diga, lutar pelo q? Era idealista, é idealista, tem pelo q lutar? Pra quem ou para que promover essa melhoria? abs

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  2. O cotidiano nos mostra a necessidade de transformação!

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  3. "Infelizmente esse padrão só é mais um padrão, que vai crescendo de escala em escala até chegar na cultura de massa..."

    Não entendi.

    Como o Alex bem comentou, a realidade mostra a necessidade de transformação. E o idealismo comentado nada mais é do que um amadurecimento, uma experiência que me faltava a respeito dos movimentos estudantis atuais e as pessoas que os cercam.

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  4. E eu não sei se cabe a mim configurar tão categoricamente um sujeito por qual "lutar". São muitas as pessoas, e das mais variadas formas que sofrem com uma raiz comum. Mas em geral, é a busca pelo homem, pelas relações pautadas na liberdade, nem que essas reflexões em tempos tão de vitória do comodismo como o nosso, sirvam, para sacudir o indivíduo isolado. As boas consciências na maioria das vezes só as são para elas mesmas

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